Quarta-feira, Julho 22, 2009

voluptia

divago nas diversas personalidades do teu corpo
nos pensamentos erógenos
extorquido da minha vontade

imerso nos teus lábios intensos
por entre a volatilidade da minha demência
a audaciosidade intemporal anuncia-se incapaz

mergulhado nos espaços eróticos
da sensualidade experimental
sou íntimo da veleidade e impaciência

vejo-me cativo da sexualidade espiritual
do carnívoro abraço de deleite
que me expele com precisão dos teus insondáveis quereres

.:the only one - morphine

Terça-feira, Julho 07, 2009

O egoísta

Na ânsia de me sentir vivo dei a alguém a faca para me matar. Abri o peito e nunca acreditei.

O meu olhar tingiu-se, as janelas bateram em banda e a escuridão que esperava nunca chegou, apenas luz.

[cegante]

Na ânsia de salvação atirei-me ao seio do pecado. Acolheu-me e alimentou-me.

A incongruente ideia de que estava certo foi desfeita em palavras, colocada num envelope lambido, selado, fechado, atirado para que chegasse ao destino.

A realidade sofre uma curta e desafinada distorção e a banda segue o meu andamento.

[delirante]

No meu passo estugado chego e absorvo-me. Amo-me, amasso-me e devasso-me.

Beijo os lábios do mundo e deixo a mentira perdurar. Convenço tudo e todos que o solo que piso é dourado. Tudo corre bem até este se abrir.

As falésias parecem comover-se com a minha patética inocência, com a minha palpitante e agridoce ignorância.

[escarnecem]

Na ânsia de me encontrar mapeei a minha alma. Esconjurei-me e embalei-me na inconsciência.

Pelos incansáveis e bem-intencionados anjos sou uma vez mais lambido do chão. A carne cai-me dos ossos, e anseio por deixar de existir.

No entanto o que resta terá que continuar. E o destino é levar estas botas lânguidas, torpes e desfeitas, pelos solos rochosos, até ao dia em que talvez possa aceitar e depois descansar…


.:darshan (road to graceland) - david sylvian & robert fripp